Em resposta ao convite para integrar a programação, nossa concepção foi apresentar uma vivência para a plenária, envolvendo a reflexão, criação e apresentação para todos os participantes.
A vivência concebida foi "Diálogos Inspiradores", mistura de 'ação comunicativa' com a ludicidade das artes cênicas. Uma das participantes, Bruna Aline Scaramboni, nos brindou com suas considerações no texto abaixo:
"O Encontro Nacional dos Românticos
Conspiradores (Enarc) deste ano mobilizou seus participantes para a busca do fortalecimento
das redes de apoio entre aqueles que defendem uma educação democrática. Os
princípios que movem as idéias e ações dos Românticos Conspiradores estão
reunidos na Carta de Princípios. Estes mesmos princípios também inspiraram as
atividades realizadas no Encontro, e por isso, vale a pena destacar um deles,
como por exemplo, o princípio número 5, Educar-se
na Democracia:
“5 – Educar-se na Democracia. A
educação que prepara para a democracia deve se dar através de práticas
não-autoritárias, que permitam a ampla participação de educandos, dos
educadores, das famílias e da comunidade. Só é possível uma educação para a
ação cidadã se a educação for pela e na ação cidadã. As práticas educativas
promotoras da liberdade, autonomia, respeito, responsabilidade, eqüidade e
solidariedade devem estar associadas aos princípios anteriores para permitir
que atinjamos o objetivo maior da auto-responsabilização social” (Carta de
Princípios – Núcleo RC/SP)[1].
Uma dessas atividades, Diálogos Inspiradores, por exemplo,
buscou criar espaços de reflexão e diálogo entre todas as pessoas interessadas
em novas possibilidades na Educação ou em sua melhoria. A atividade foi
conduzida por Mauro Rego e Valéria Roças, autores do livro Conversa e Cura. Diálogos
inspiradores é uma dinâmica que estimula a criação de caminhos para o
diálogo com o outro – com os que pensam de forma semelhante ou diferente de
nós. O desafio proposto na dinâmica consiste em refletir em como abrir caminhos
para um diálogo verdadeiro em que não está em jogo invalidar ou menosprezar
ideias opostas, mas estabelecer uma troca e assim abrir espaço para a escuta.
Há tempos que vivemos uma crise de paradigmas em vários setores da vida, e na Educação não é diferente. A necessidade de dialogar impõe-se como a condição para que se possam construir coletivamente novos e melhores caminhos para os nossos problemas. A Educação pode ser efetivamente um instrumento de construção de valores éticos e de vínculos que são fundamentais no desenvolvimento da criança e jovem para uma vida adulta autônoma e responsável. Para isso é preciso questionar nossa concepção de escola como edifício e único local possível para a Educação. Como diz o professor José Pacheco, “as escolas são pessoas”. E o diálogo impõe-se com toda a sua potência política e criativa como um caminho possível para a construção de realizações coletivas e voltadas para o bem-estar das pessoas. Para aqueles que defendem e se aproximam de uma educação que promova o respeito, a autonomia e a ética, a dinâmica colocou a eles o desafio de avaliar suas próprias ideias, assim como, a oportunidade de colocar-se no lugar do outro, de pensar sob outras perspectivas e posicionamentos.
Há tempos que vivemos uma crise de paradigmas em vários setores da vida, e na Educação não é diferente. A necessidade de dialogar impõe-se como a condição para que se possam construir coletivamente novos e melhores caminhos para os nossos problemas. A Educação pode ser efetivamente um instrumento de construção de valores éticos e de vínculos que são fundamentais no desenvolvimento da criança e jovem para uma vida adulta autônoma e responsável. Para isso é preciso questionar nossa concepção de escola como edifício e único local possível para a Educação. Como diz o professor José Pacheco, “as escolas são pessoas”. E o diálogo impõe-se com toda a sua potência política e criativa como um caminho possível para a construção de realizações coletivas e voltadas para o bem-estar das pessoas. Para aqueles que defendem e se aproximam de uma educação que promova o respeito, a autonomia e a ética, a dinâmica colocou a eles o desafio de avaliar suas próprias ideias, assim como, a oportunidade de colocar-se no lugar do outro, de pensar sob outras perspectivas e posicionamentos.
Os participantes reuniram-se em grupos
bastante diversificados, com crianças, adultos, jovens; com professores,
gestores, artistas e estudantes. A primeira tarefa consistia em construir
diálogos a partir de questões sensíveis a cada um dos agentes sociais: alunos,
professores, gestores e familiares/responsáveis. Como participante da dinâmica
posso dizer que existiu entre nós uma relação respeitosa e de troca, em que
dentro do real possível todos que quiseram se colocar foram ouvidos e tiveram
suas questões acolhidas. Cada grupo teve como tarefa pensar em questões
específicas referentes a cada um dos agentes. Dessa reflexão coletiva emergiram
diferentes visões sobre educação, escola e aprendizagem, e a partir delas
construíram-se diálogos com os pais, gestores, professores e alunos. Cada um
dos grupos refletiu sob a perspectiva dos diversos agentes sociais e sobre como
eles dialogariam entre si a respeito de formas inovadoras de Educação, outras
concepções de escola e do processo de ensino-aprendizagem.
O grupo que refletiu sob a perspectiva dos
alunos trouxe para os diálogos questões como: “De que maneira pensar o processo
ensino-aprendizagem sem provas, notas ou uma grade curricular específica para
cada série ou ciclo?”; “Por que e para que precisamos aprender determinados
conteúdos?”; “Por que precisamos ser avaliados através de provas?” Ou então,
“Como irei estudar sem a pressão das provas?”. Ensaiou-se algumas respostas a
essas questões sob os vários posicionamentos existentes na sociedade atual,
seja no sentido de sinalizar para a necessidade de uma transformação nas
práticas e relações educacionais, seja no sentido de aprimorar práticas
tradicionais. Sob a perspectiva dos gestores escolares, abordou-se a questão da
evasão e do fracasso escolar: Qual tipo de educação temos de fazer para se
enfrentar efetivamente problemas como evasão, fracasso escolar e o desinteresse
dos alunos? Será que os alunos saem da escola com aprendizagens significativas?
Tais questões levaram à discussão sobre o papel da escola: Será que a função da
escola é o de preparar exclusivamente para atuar no mercado de trabalho e ter
bom desempenho em vestibulares?
Sob a perspectiva dos professores, o grupo
discutiu a prática pedagógica: De que maneira devo criar condições para
despertar a curiosidade e o interesse dos meus alunos? Em que medida a
transmissão de conteúdos organizados em grades curriculares contribuem com o
aprendizado dos alunos? Em seguida, surgiu a pergunta: Por que os alunos não
aprendem todos os conteúdos transmitidos? Por que muitos saem da educação
básica sem saber ler e escrever satisfatoriamente? Será que o problema é a
falta de disciplina? A indisciplina é a causa do baixo desempenho e
desinteresse dos alunos? Na conversa entre familiares/responsáveis, uma das
mães, preocupada com o desempenho insatisfatório de seu filho, questiona um
plano de curso que impõe um mesmo ritmo de aprendizado a todos. O ritmo imposto
pelo plano de curso deve ser igual para pessoas com diferentes características,
experiências, potenciais e limitações? Por fim, finalizamos com difíceis
questões que perpassaram todas as conversas e que precisam ser acolhidas e
significadas por todos nós: Qual é a finalidade da escola? Que tipo de escola e
educação desejamos construir? A resposta a esta pergunta sinaliza para o tipo
de sociedade que desejamos construir para os próximos anos.
No Enarc enfatizou-se a educação como construção coletiva, e para isso, devemos criar espaços de diálogo. A dinâmica Diálogos inspiradores contribuiu para essa tarefa ao estimular de forma criativa, a conversa, a troca e a escuta. Como vimos, essa atividade foi utilizada com professores, artistas, estudantes, gestores e pode ser uma fonte de inspiração para os educadores e arte-educadores que queiram estimular a construção de diálogos inspiradores nos mais variados espaços educativos, inclusive, a sala de aula."
[Bruna Aline Scaramboni é educadora na área de ciências humanas, com graduação e mestrado em Ciências Sociais, e atua no ensino médio no Centro Paula Souza, em São Paulo.]
No Enarc enfatizou-se a educação como construção coletiva, e para isso, devemos criar espaços de diálogo. A dinâmica Diálogos inspiradores contribuiu para essa tarefa ao estimular de forma criativa, a conversa, a troca e a escuta. Como vimos, essa atividade foi utilizada com professores, artistas, estudantes, gestores e pode ser uma fonte de inspiração para os educadores e arte-educadores que queiram estimular a construção de diálogos inspiradores nos mais variados espaços educativos, inclusive, a sala de aula."
[Bruna Aline Scaramboni é educadora na área de ciências humanas, com graduação e mestrado em Ciências Sociais, e atua no ensino médio no Centro Paula Souza, em São Paulo.]
Com a contribuição da Bruna Aline, temos mais subsídios para prosseguir fomentando diálogos!
A vivência tem um registro no youtube, que, embora sintético, traduz em parte o seu desenvolvimento.
Está em https://www.youtube.com/watch?v=sqY1zuLpPiY.
